Segunda-feira, Outubro 31

Da série Feliz por Nada - X de X



Da série Feliz por Nada - X de X
(para quem chegou agora, entenda aqui)

Cresça e divirta-se
(Martha Medeiros)

Tenho viajado bastante para companhar algumas pré-estreias do filme Divã, baseado no meu livro homônimo. Delícia de tarefa, ainda mais quando a gente gosta de verdade do trabalho realizado, e esse filme realmente ficou enxuto, delicado e emocionante. Além disso, ainda consegue me provocar. A personagem Mercedes (vida pela incrível Lilia Cabral) está fazendo análise e leva pro consultório muitos questionamentos sobre sua vida. Até que, passado um tempo, finalmente relaxa e se dá conta de que não há outra saída a não ser conviver com suas irrealizações. Diante disso, o analista sugere alta, no que ela rebate: "Alta? Logo agora que estou me divertindo?"

Eu tinha esquecido dessa parte do livro, e quando vi no filme, me pareceu tão cristalino: um dos sintomas do amadurecimento é justamente o resgate da nossa jovialidade, só que a não jovialidade do corpo, que isso só se consegue até certo ponto, mas a jovialidade do espírito, tão mais prioritária. Você é adulto mesmo? Então pare de de reclamar, pare de buscar o impossível, pare de exigir perfeição de si mesmo, pare de querer encontrar lógica para tudo, pare de contabilizar prós e contras, pare de julgar os outros, pare de tentar manter sua vida sob rígido controle. Simplesmente, divirta-se.

Não que seja fácil. Enquanto que um corpo sarado obtém com exercícios, musculação, dieta e discernimento quanto aos hábitos cotidianos, a leveza de espírito requer justamente o contrário: a libertação das correntes. A aventura do não domínio. Permita-se o erro. Não se sacrificar em demasia, já que estamos todos caminhando rumo a um mesmo destino, que não é nada espetacular. É preciso perceber a hora de tirar o pé do acelerador, afinal, quem quer cruzar a linha de chegada? Mil vezes curtir a travessia.

Dia desses recebi o e-mail de uma mulher revoltada, baixo-astral, carente de frescor, e fiquei imaginando como deve ser difícil viver sem abstração e sem ver graça na vida, enclausurada na dor. Ela não estava me xingando pessoalmente, e sim manifestando sua contrariedade em relação ao universo, apenas isso: odiava o mundo. Não a conheço, pode sofrer de depressão, ter um problema sério, sei eu. Só sei que há pessoas que apresentam quadro depressivo e ainda assim não perde o humor nem que queiram: tiveram a sorte de nascer com esse refinado instinto de sobrevivência.

Dores, cada um tem as suas. Mas o que nos faz cultivá-las por décadas? Creio que nos apegamos com desespero a elas por não ter o que colocar no lugar, caso a dor se vá. E então fica ruminando, alimentando a própria "má sorte", num processo de vitimização que chega ao nível do absurdo. Por que fazemos isso conosco?

Amadurecer talvez seja descobrir que sofrer algumas perdas é inevitável, mas que não precisamos nos agarrar à dor para justificar nossa existência.

(5 de abril de 2009)

Notas

Thaisa: algumas vezes me incomodo com o beijo em pé público, não por ter vergonha, mas pelo fato de muitas pessoas se sentirem desconfortáveis diante de um ;-)

Luciane: Pois planta, que você vai acabar colhendo ;-)

Beijos 1000 e tudo de bom.

Quinta-feira, Outubro 27

Da série Feliz por Nada - IX de X



Da série Feliz por Nada - IX de X
(para quem chegou agora, entada aqui)

Beijo em pé
(Martha Medeiros)

Uma vez almocei com duas amigas mineiras, ambas casadas há bastante tempo, veteranas em bodas de prata e, ainda bem felizes com seus respectivos. Falávamos das dificuldades e das alegrias dos relacionamentos longos. Até que uma delas fez uma observação curiosa. Disse ela que não tinha do que reclamar, porém sentia muita falta de beijo em pé.

Como assim, beijo em pé?

Depois de um tempo de convívio, explicou ela, o casal não troca mais beijo apaixonado na cozinha, no corredor do apartamento, no meio de uma festa. É só bitoquinha quando chega em casa, ou quando sai, mas beijo mesmo, "aquele", acontece apenas quando deitados, ao dar início às preliminares. Beijo avulso, de repente, sem promessa de sexo, ou seja, um beijaço em pé, esquece.

E rimos, claro, porque quem não se diverte perde a viagem.

Faz tempo que aconteceu essa conversa, mas até hoje lembro da Lucia (autora da tese) quando vejo um casal se beijando na pista de um show, no saguão de um aeroporto ou na beira da praia. Penso: olha ali o famoso beijo em pé da Lucia. Não devem ser casados. Se forem, chegaram ontem da lua de mel.

Há quem considere o beijo - não o selinho, o beijo! - uma manifestação muito íntima e imprópria para lugares públicos. Depende, depende. Não há regras rígidas sobre o assunto, tudo é uma questão de adequação. Saindo de um restaurante, abraçados, caminhando na rua em direção ao carro, você abre a porta para sua esposa (sim, sua esposa há uns bons vinte anos) e tasca-lhe um beijo antes que ela se acomode no assento. Por que não?

Porque ela vai querer coisa e você está cansado. Ai, não me diga que estou lendo seus pensamentos.

O beijo entre namorados, a qualquer momento do dia ou da noite, enquanto um lava a louça e o outro seca, por exemplo, é um ato de desejo instantâneo, uma afirmação do amor sem hora marcada. No entanto, o tempo passa, o casal se acomoda e o hábito cai no ridículo: imagina ficar se beijando assim, no mais, em plena segunda-feira, com tanto pepino pra resolver. Ninguém é mais criança.

Pode ser. Mas que delícia de criancice fez o goleiro Casillas ao interromper a entrevista da namorada e tasca-lhe um beijo sem aviso, um beijo emocionado, um beijo à vista do mundo, um beijo em pé. Naquele instante, suspiraram todas as garotas do planeta, e as nem tão garotas assim. E os homens se sentiram bem representados pela virilidade do campeão. Pois então: que repitam o gesto em casa, e não venham argumentar que não somos nenhuma Sara Carbonero que isso não é desculpa.

(14 de julho de 2010)

E eu, Jady, ouso acrescentar:" principalmente porque vocês normalmente estão bem longe de serem Casillas."

Mas eu tenho sorte (ou será que planto o que colho?) de ainda ter muiiiiitos" beijos em pé" ;-) #adoro

Beijos 1000 e tudo de bom.

Quarta-feira, Outubro 26

Da série Feliz por Nada - VIII de X


Da série Feliz por Nada - VIII de X
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Um namorado a essa altura?
(Martha Medeiros)

Quem é que tem namorado, namorada? Garotada. Antes de casar, constituir família e cumprir com toda a formalidade, namora-se, e o verbo é de uma delícia de matar de inveja, namorar, experimentar, entrar em alfa, curtir, viajar, brigar, voltar, se vestir para ele, se exibir para ela, telefonar, enviar torpedos, dar presentinhos, apresentar mãe, pai, amigos, ocultar ex-ficantes, declarar-se, agarrar-se no cinema, não ter grana para morar junto, ausência dolorosa, ver-se de vez em quando, um dia tem faculdade, no outro se trabalha até mais tarde, quando então? Amanhã à noite, marca-se, aguarda-se. Namorados. Que fase.

Depois vem o casamento, os filhos, as bodas e aquela coisa toda. Dia dos namorados vira pretexto para mais um jantar num restaurante chique, onde pagará uma nota pelo vinho. Depois dos 3.782 "te amo" já trocados, mais um, menos um, o coração já não se exalta. Deita-se namesma cama, o colchão já afundado, transa-se no automático, renovam-se os votos e segue o baile, amanhã estaremos de novos juntos, e depois de amanhã, e depois de depois, até os cem anos. Casados. Bem casados.

Mas namorado, não. Namorar tem frescor, é amor estreado, o choro trancado no quarto, o presente comprado com uns míseros trocados, os porta-retratos, os malfadados bichinhos de pelúcia, as camisinhas e todos os cuidados, os "pra sempre" diariamente renovados, naorados. Cada qual no seu quadrado.

Pois outro dia vi uma mulher de 56 anos dar um depoimento engraçado. Disse ela: "Já fui casada, hoje tenho filhos adultos, um netinho e um namorado e me sinto quase uma retardada. Difícil nessa idade dizer que o que se tem não é um marido, nem mesmo um amante. Que outro nome posso dar a esse homem que vejo três vezes por semana que me deixa bilhetinhos apaixonados e me liga para dar boa noite quando não está ao meu lado?"

Minha senhora, é um namorado. Por mais fora de esquadro.

Como apresentá-lo, ela que já não usa minissaia, nem meia três quartos, e que já possui um imóvel quitado? Ele grisalho, ex-surfista, hoje meio alquebrado: um namorado?

Pois é o que se vê por aí: namorados de 47, 53, 62 anos, todos veteranos no papel de novatos. Começando tudo de novo, depois de tanto já terem quebrados os pratos. Eles, livres como pássaros. Elas, coração aos pulos, depilação em dia, sem tempo pros netos: vovó tem direito a uma volta ao passado.

O que poderia ser constrangedor agora é um fato. Namora-se antes do casamento, e depois. Com a vantagem de os namoros de meia-idade dispensarem ultimatos.

(13 de junho de 2010)

Por isso que, até hoje, 12 anos depois, ainda chamo Nilo de "namorado" ;-) Porque é assim dentro de mim.

Beijos 1000 e tudo de bom

Terça-feira, Outubro 25

Da série ser feliz por nada - VII de X


Da série ser feliz por nada - VII de X
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A vida sem rodinhas
(Martha Medeiros)

Lembro que nos momentos importantes da infância, e também nos desimportantes, meu pai estava sempre a postos empunhando uma máquina fotográfica. A consequência? A cada gaveta que eu abro aqui em casa, saltam fotos diversas, sem contar as que estão confinadas em álbuns e porta-retratos. Dessas tantas, há uma pela qual tenho um carinho especial: é uma foto em que estou andando de bicicleta, aos cinco ou seis anos de idade. Naquele dia eu andei sem rodinhas pela primeira vez. Dei várias voltas sem cair, até que meu pai clicou o flagrante: a pirralha com a maior cara de vencedora, dona do campinho, se achando. Eu realmente estava degustando aquela vitória.

Se a foto tivesse legenda, seria: "Viu?".

As rodinhas são uma base protetora para iniciantes, uma segurança para quem ainda não tem domínio da coisa. Que coisa? Qualquer coisa. Me corrija se eu estiver errada: a gente usa rodinhas até hoje.

Quando se escreve um livro, por exemplo, as rodinhas são as cenas não inventadas, o sentimento de verdade, vivido, com o qual a gente ampara a ficção.

Quando se tem um filho, as rodinhas são a herança da educação que nossos pais nos deram, a parte hereditária que, mesmo questionada, sustenta nossas primeiras decisões.

Quando nos apaixonamos, as rodinhas são a repetição de certos clichês, a partilha dos nossos ideais e certezas, mesmo sabendo que em breve entraremos em terreno movediço, desconhecido.

Quando se aceita um emprego, as rodinhas são a nossa experiência anterior, o que facilita a arrancada, mas depois é preciso andar sozinho.

Sempre chega a hora de tirar as rodinhas. Medo e êxtase.

Viver sem elas torna tudo mais perigoso, vulnerável, e ao mesmo tempo, emocionante. Nos faz voltar a ser crianças: será que estou agindo certo, será que estou indo rápido demais, ou lento demais? Atenção: lendo demais, cai.

É preciso saber viver sem um suporte contínuo para que se possa firmar o próprio caráter. Quem não sai da barra da saia da mãe nunca consegue se equilibrar sozinho. Quem não solta a mão do pai não vira homem.

Quando é que sabemos se estamos aptos a andar por nossa conta? Se o assunto é bicicleta, aos cinco, seis, sete, até dez anos, dependendo do ritmo e da estabilidade de cada um.

Quando se trata da vida, depende também. Mas usá-las para sempre nos impede de sentir o gostinho de conseguir, de vencer, de atingir nossos objetivos por mérito próprio.

Nos impede de provocar: "Viu?"

Nada nos dá tanto orgulho do que mostrar aos outros - e a nós mesmos - o quanto podemos".

(20 de junho de 2010)

Beijos 1000 e tudo de bom.

Segunda-feira, Outubro 24

Da serie Feliz por Nada - VI de X


Da serie Feliz por Nada - VI de X
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Feliz por Nada
(Martha Medeiros)

Geralmente, quando uma pessoa exclama "Estou tão feliz!", é porque engatou um novo amor, conseguiu uma promoção, ganhou uma bolsa de estudos, perdeu os quilos que precisava ou algo do tipo. Há sempre um porquê. Eu costumo torcer para que essa felicidade dure um bom tempo, mas sei que as novidades envelhecem e que não é seguro se sentir feliz apenas por atingimento de metas. Muito melhor é ser feliz por nada.

Digamos: felizes porque maio recém começou e temos longos oito meses para fazer de 2010 um ano memorável. Feliz por estar com as dívidas pagas. Feliz porque alguém lhe elogiou. Feliz porque existe uma perspectiva de viagem daqui há alguns meses. Feliz porque você não magoou ninguém hoje. Feliz porque daqui a pouco será hora de dormir e não há lugar no mundo mais acolhedor do que sua cama.

Esquece. Mesmo sendo motivos prosaicos, isso ainda é ser feliz por muito.

Feliz por nada, nada mesmo?

Talvez passe pela total despreocupação com essa busca. Essa tal de felicidade inferniza. "Faça isso, faça aquilo". A troco? Quem garante que todos chegam lá pelo mesmo caminho?

Particularmente, gosto de quem tem compromisso com a alegria, que procura relativizar as chatices diárias e se concentrar no que importa pra valer, e assim alivia o seu cotidiano e não atormenta o dos outros. Mas não estando alegre, é possível ser feliz também. Não estando "realizado", também. Estando triste, felicíssimo igual. Porque felicidade é calma. Consciência. É ter talento para aturar o inevitável, é tirar algum proveito do imprevisto, é ficar debochadamente assombrado consigo próprio: como é que eu me meti nessa, como é que foi acontecer comigo? Pois é, são os efeitos colaterais de se estar vivo.

Benditos os que conseguem se deixar em paz. Os que não se cobram por não terem cumprido suas resoluções, que não se culpam por terem falhado, não se torturam por terem sido contraditórios, não se punem por não terem sido perfeitos. Apenas fazem o melhor que podem.

Se é para ser mestre em alguma coisa, então que sejamos mestres em no libertar da patrulha do pensamento. De querer se adequar à sociedade e ao mesmo tempo ser livre. Adequação e liberdade simultaneamente? É uma senhora ambição. Demanda a anergia de uma usina. Para que se consumir tanto?

A vida não é um questionário de Proust. Você não precisa ter que responder ao mundo quais são suas qualidades, sua cor preferida, seu prato favorito, que bicho seria. Que mania de se autoconhecer. Chega de se autoconhecer. Você é o que é, um imperfeito bem-intencionado e que muda de opinião sem a menor culpa.

Ser feliz por nada talvez seja isso.

(2 de maio de 2010)


Domingo, Outubro 23

Da série Feliz por Nada - V de X


Da série Feliz por Nada - V de X
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E se tivesse sido diferente?
(Martha Medeiros)

Quem leu o perturbador Precisamos falar sobre Kevin, sabe que sua autora, Lionel Shriver, é craque em esmiuçar as razões psicológicas que motivam todos os nossos atos, mesmo os mais tolos, e em demonstrar o quanto esses atos geram consequências previsíveis e imprevisíveis. Em seu novo livro, O mundo pós-aniversário, ela conta a história de Irina, uma mulher instalada num solido casamento de dez anos, que um dia sente um incontrolável desejo de beijar outro homem. Para complicar, esse homem é um amigo do casal. A partir daí, a autora desmembra o livro em duas histórias que corem paralelas: a vida de Irina caso consumasse seu impulso erótico, e a vida de Irina caso reprimisse seu desejo.

A autora poderia ter se contentado em escrever sobre o poder transformador de um primeiro beijo em alguém, mas foi mais inteligente e abordou também o poder transformador de mantermos tudo como está. É comum pensarmos que, ao ficarmos parados no mesmo lugar, sem agir, sem mudar nada, estamos assegurando um destino tranquilo. Engessados na mesma situação, é como se estivéssemos protegidos de qualquer possível ebulição que nos inquiete. Ssssshhhh.Quietos. Ninguém se mexe pra não acordar o demônio.

Não deixa de ser uma estratégia, mas falta combinar com o resto da população. As pessoas que nos cercam sempre interferirão no nosso destino. Se dermos uma guinada brusca ou permanecermos na rotina, tanto faz: o mundo se encarregará de trocar as peças nesse imenso tabuleiro chamado dia a dia.

Ao fazer algo socialmente condenável (como ser casada e dar um beijo em outro homem, para dar o exemplo do livro), tudo poderá acontecer inclusive nada. Você poderá se apaixonar, abandonar seu marido e viver uma tórrida história de amor, e essa história de amor se revelar uma furada e você se arrepender, e tentar reatar com seu marido que a essa altura já estará apaixonado pela vizinha. Ou você beijará e em vez de iniciar um tórrido romance, voltará para casa bocejando e nada, nadinha será alterado. Foi só uma pequena estupidez momentânea e sem consequências. Mas das consequências de continuar viva você não escapa.

Esse 2010 promete ser bom: ano do tigre no horóscopo chinês, ano de Vênus no horóscopo ocidental. Quem entende do assunto diz que teremos um aquecimento global do tipo que ninguém tem nada contra. Emoções calientes. Mas adianta fazer planos? Seja qual for o caminho que optarmos seguir, haverá altos e baixos. E isso é tudo. Se fizermos uma auditoria em nossas vidas, em algum momento questionaremos: "e se eu tivesse feito diferente?". O diferente teria sido melhor e teria sido pior. Então o jeito é curtir nossas escolhas e abandoná-las quando for preciso, mexer e remexer na nossa trajetória, alegrar-se e sofrer, acreditar e descrer, que lá adiante tudo se justificará, tudo dará certo. Algumas vidas podem ser tristes, outras são desperdiçadas, mas, num sentido mais absoluto, não existe vida errada."

(23 de dezembro de 2009)

Notas:

Thaisa: Pois lê com calma e vê que grande verdade é aquilo ;-)

Beijos 1000 e tudo de bom.

Sábado, Outubro 22

Da série Feliz por Nada - IV de X



Da série Feliz por Nada - IV de X
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O amor que a vida traz
(Martha Medeiros)

Você gostaria de ter um amor que fosse estável, divertido e fácil. O objeto desse amor nem precisaria ser muito bonito, nem rico. Uma pessoa bacana, que te adorasse e fosse parceira já estaria mais do que bom. Você quer um amor. É pedir muito? Ora, você está sendo modesto.

O problema é que todos imaginam um amor a seu modo, um amor cheio de pré-requisitos. Ao analisar o currículo do candidato, alguns ítens de fábrica não podem faltar. O seu amor tem que gostar um pouco de cinema, nem que seja para assistir em casa, no DVD. E seria bom que gostasse dos seus amigos. E precisa ter um objetivo na vida. Bom humor, sim, bom humor não pode faltar. Não é querer demais, é? Ninguém está pedindo um piloto de Fórmula 1 ou uma capa da Playboy. Basta um amor desses fabricados em série, não pode ser tão impossível.

Aí a vida bate à sua porta e entrega um amor que não tem nada haver com o que você queria. Será que se enganou de endereço? Não. Está tudo certinho, confira o protocolo. Esse é o amor que lhe cabe. É seu. Se não gostar, pode colocar no lixo, pode passar adiante, faça o que quiser. A entrega está feita, assine aqui, adeus.

E agora está você aí, com esse amor que não estava nos seus planos. Um amor que não é a sua cara, que não lembra em nada um amor idealizado. E, por isso mesmo, um amor que deixa você em pânico e em êxtase. Tudo diferente do que você um dia supôs, um amor que te perturba e te exige, que não aceita as regras que você estipulou. Um amor que a cada manhã faz você pensar que de hoje não passa, mas a noite chega e esse amor perdura, um amor movido por discussões que você não esperava enfrentar e por beijos para os quais nem imaginava ter tanto fôlego. Um amor errado como aqueles que dizem que devemos aproveitar enquanto não encontramos o certo, e o certo era aquele outro que você havia solicitado, mas a vida, que é péssima em atender pedidos, lhe trouxe esse e conforme-se, saboreie esse presente, esse suspense, esse nonsense, esse amor que você desconfia que não lhe pertence. Aquele amor em formato de coração, amor com licor, amor de caixinha, não apareceu. Olhe para você vivendo esse amor a granel, esse amor escarcéu, não era bem isso que você desejava, mas é o amor que lhe foi destinado, o amor que começou por telefone, o amor que começou pela internet, que esbarrou em você no elevador, o amor que era pra não vingar e virou compromisso, olha você tendo que explicar o que não se explica, você nunca havia se dado conta de que amor não se pede, não se especifica, não se experimenta em loja, como quem diz: ah, este me serviu direitinho!

Aquele amor corretinho por você tão sonhado vai parar na porta de alguém que despreza amores corretos, repare em como a vida é astuciosa. Assim são as entregas de amor, todas como se tivessem num caminhão da sorte, uma promoção de domingo, um prêmio buzinando lá fora, mesmo você nunca tendo apostado. Aquele amor que você encomendou não veio, parabéns! Agradeça e aproveite o que lhe foi entregue por sorteio

(12 de abril de 2009)

Notas:

Thaisa: Não existe!! É como eu disse a Nilo quando dediquei o texto do abraço a ele, pelo facebook "o abraço dele é o meu melhor lugar do mundo".

Beijos 1000 e tudo de bom.

Sexta-feira, Outubro 21

Da série Feliz por Nada - Parte III de X


Da série Feliz por Nada - Parte III de X
(pra você que chegou agora, entenda aqui)

Dedico o post de hoje a minha "gema" Zy, que demorou mas finalmente aprendeu a ser amiga de si mesma. Divirta-se garota. Sempre.

Amigo de si mesmo
(Martha Medeiros)

Em seu recém-lançado livro "Quem pensas tu que eu sou?", o psicanalista Abrão Slavutzky reflete sobre a necessidade de conquistar o reconhecimento alheio para que possamos desenvolver nossa autoestima. Mas como sermos percebidos generosamente pelo olhar dos outros? Os ensaios que compõem o livro percorrem vários caminhos para encontrar essa resposta, em capítulos com títulos instigantes como 'Se o cigarro de García Márques falasse', 'Somos todos estranhos' ou 'A crueldade é humana'. Mas já no prólogo o autor oferece a primeira pílula da sabedoria. Ele reproduz uma questão levantada e respondida pelo filósofo Sêneca: 'Perguntas-me qual foi o meu maior progresso? Comecei a ser amigo de mim mesmo.'

Como sempre, nosso bem-estar emocional é alcançado com soluções simples, mas poucos levam isso em conta, já que a simplicidade nunca teve muito cartaz entre os que apreciam uma complicaçãozinha. Acreditando que a vida é mais rica no conflito, acabam dispensando esse pó de pirlimpimpim.

Para ser amigo de si mesmo é preciso estar atento a algumas condições do espírito. A primeira aliada da camaradagem é a humildade. Jamais seremos amigos de nós mesmos se continuarmos a interpretar o papel de Hércules ou de qualquer super-herói invencível. Encare-se no espelho e pergunte: quem eu penso que sou? E chore, porque você é fraco, erra, se engana, explode, faz bobagem. E aí enxugue as lágrimas e perdoe-se, que é o que os bons amigos fazem: perdoam.

Ser amigo de si mesmo passa também pelo bom humor. Como ainda pode haver quem não entenda que sem humor não existe chance de sobrevivência? Já martelei muito nesse assunto, então vou usar as palavras de Abraão Slavutzky: 'Para atingir a verdade, é preciso superar a seriedade da certeza'. É uma frase genial. O bem-humorado respeita as certezas, mas as transcende. Só assim o sujeito passa a se divertir com o imponderável da vida e a tolerar suas dificuldades.

Amigar-se consigo também passa pelo que muitos chamam de egoísmo, mas será? Se você faz algo de bom para si próprio estará automaticamente fazendo mal para os outros? Ora. Faça o bem para si e acredite: ninguém vai se chatear com isso. Negue-se a participar de coisas em que não acredita ou que simplesmente o aborrecem. Presenteie-se com boa música, bons livros e boas conversas. Não troque sua paz por encenação. Não faça nada que o desagrade só para agradar aos outros. Mas seja gentil e educado, isso reforça laços, está incluído no projeto "ser amigo de si mesmo".

Por fim, pare de pensar. É o melhor conselho que um amigo pode dar ao outro: pare de fazer fantasias, sentir-se perseguido, neurotizar relações, comprar briga por besteira, maximizar pequenas chatices, estender discussões, buscar no passado as justificativas para ser do jeito que é, fazendo a linha "sou rebelde porque o mundo quis assim". Sem essa. O mundo nem estava prestando atenção em você, acorde. Salve-se dos seus traumas de infância.

Quem não consegue sozinho deve acudir-se com um terapeuta. Só não pode esquecer: sem amizade por si próprio, nunca haverá progresso possível, como bem escreveu Sêneca cerca de dois mil anos atrás. Permanecerá enredado em suas próprias angústias e sendo nada menos que seu pior inimigo".

Beijos 1000

Quinta-feira, Outubro 20

Da série Feliz por Nada - Parte II de X


Da série Feliz por Nada - Parte II de X
(para vc que chegou agora, entenda aqui)

Os ausentes
(Martha Medeiros)

"Eu não assisti ao programa, mas soube da história. O jornalista David Letterman recebeu Joaquin Phoenix para uma entrevista. O ator fez jus à fama de bad boy: não parou de mascar chiclete e só respondia em monossílabos e grunhidos, não facilitando o andamento da conversa. Letterman tentou, tentou, e como não conseguia arrancar nada do sujeito, encerrou a entrevista com uma tirada ótima: 'Joaquin, uma pena que você não pôde vir esta noite".

Quando uma pessoa se dispõe a dar uma entrevista, tem que entrar no jogo: responder com generosidade ao que foi perguntado e valer-se de uma educação básica, caso tenha. É bom lembrar que a maioria das entrevistas não é feita apenas para dar ibope ao programa, e sim ajudar na divulgação de algum projeto do convidado. Ambos saem ganhando. Só quem não ganha é a platéia quando o convidado finge que está lá, mas não está. Madonna é até hoje o trauma da carreira de Marília Gabriela, pelos mesmos motivos.

Claro que há quem defenda a atitude de Phoenix com o argumento de "autenticidade", mas existe uma sutil diferença entre ser autêntico e ser grosso. É muita inocência achar que podemos prescindir de uma certa performance social. Espero não estar ferindo a sensibilidade dos autênticos, mas de um teatrinho ninguém escapa, a não ser que queiramos voltar a viver nas cavernas.

Não sou de me irritar facilmente, mas acho um desrespeito quando uma pessoa faz questão de demonstrar que não compactua com a ocasião. São os casos daqueles que se emburram em torno de uma mesa de jantar e não fazem a menor questão de serem agradáveis. Pode ser num restaurante ou mesmo na casa de alguém: estão todos confraternizando, menos a "vítima", que parece ter sido carregada para lá à força. Às vezes, foi mesmo. Sabemos o quanto uma mulher pode ser insistente ao tentar convencer um marido a participar de um aniversário de criança, assim como maridos também usam seu poder de persuasão para arrastar as esposas para um evento burocrático. Não precisa virar o mestre de cerimônias da noite, mas ao menos agracie seus semelhantes com dois ou três sorrisos. Não dói.

Dentro da igreja, ajoelhe-se. No estádio de futebol, grite pelo seu time. Numa festa, comemore. Durante um beijo, apaixone-se. De frente para o mar, dispa-se. Reencontrou um amigo, escute-o.

Ou faça de outro jeito, se preferir: dentro da igreja, escute-O. Durante um beijo, dispa-se. No estádio de futebol, apaixone-se. De frente para o mar, ajoelhe-se. Numa festa, grite pelo seu time. Reencontrou um amigo, comemore.

Esteja!!

Se não quiser participar, tudo bem, então fique na sua: na sua casa, no seu canto, na sua respeitável solidão. Melhor uma ausência honesta do que uma presença desaforada.

(31 de março de 2009)"

Notas:

Luciane: Também adooooro abraços ;-) (2) E o exame?!?!

Bel: Afff... Esse tipo de texto a gente só responde direito na hora que lê, pq a emoção tá lá, "à flor"... E agora? Vou cantar inspiração... Humpf.

Beijos 1000 e tudo de bom.

Quarta-feira, Outubro 19

Da série Feliz por Nada - Parte I de X


Da série Feliz por Nada - Parte I de X

Feliz por Nada é uma seleção de crônicas escritas por Martha Medeiros (vocês também tem a sensação de que tudo o que ela escreve bem que poderia ter sido escrito por você?) que chegou a mim pelas mãos da sempre presente Vivi . Se eu pudesse transcreveria o livro inteiro, mas decidi fazer essa série com as minhas 10 crônicas preferidas. Para começar, a minha, realmente, preferida: Dentro de um abraço.

"Onde é que você gostaria de estar agora, nesse exato momento?

Fico pensando nos lugares paradisíacos onde já estive, e que não me custaria nada reprisar: num determinado restaurante de uma ilha grega, em diversas praias do Brasil e do mundo, na casa de bons amigos, em algum vilarejo europeu, numa estrada bela e vazia, no meio de um show espetacular, numa sala de cinema assistindo à estreia de um filme muito esperado e, principalmente, no meu quarto e na minha cama, que nenhum hotel cinco estrelas consegue superar - a intimidade da gente é irreproduzível.

Posso também listar os lugares onde não gostaria de estar: num leito de hospital, numa fila de banco, numa reunião de condomínio, presa num elevador, em meio a um trânsito congestionado, numa cadeira de dentista.

E então? Somando os prós e os contras, as boas e más opções, onde, afinal, é o melhor lugar do mundo?

Meu palpite: dentro de um abraço.

Que lugar melhor para uma criança, para um idoso, para uma mulher apaixonada, para um adolescente com medo, para um doente, para alguém solitário? Dentro de um abraço é sempre quente, é sempre seguro. Dentro de um abraço não se ouve o tic-tac dos relógios e, se faltar luz, tanto melhor. Tudo o que você pensa e sofre, dentro de um abraço se dissolve.

Que lugar melhor para um recém-nascido, para um recém-chegado, para um recém-demitido, para um recém-contratado? Dentro de um abraço nenhuma situação é incerta, o futuro não amedronta, estacionamos confortavelmente em meio ao paraíso.

O rosto contra o peito de quem te abraça, as batidas do coração dele e as suas, o silêncio que sempre se faz durante esse envolvimento físico: nada há para se reivindicar ou agradecer, dentro de um abraço voz nenhuma se faz necessária, está tudo dito.

Que lugar no mundo é melhor para se estar? Na frente de uma lareira com um livro estupendo, em meio a um estádio lotado vendo seu time golear, num almoço em família onde todos estão se divertindo, num final de tarde à beira-mar, deitado num parque olhando para o céu, na cama com a pessoa que você mais ama?

Difícil bater essa última alternativa, mas onde começa o amor, senão dentro do primeiro abraço? Alguns o consideram como algo sufocante, querem logo se desvencilhar dele. Até entendo que há momentos em que é preciso estar de fora do alcance, livre de qualquer tentáculo. Esse desejo de se manter solto é legítimo, mas hoje me permita não endossar manifestações de alforria. Entrando na semana dos namorados, recomendo fazer reserva num local aconchegante e naturalmente aquecido: dentro de um abraço que te baste.

(12 de junho de 2008)"

Notas:

Zy: Chamo de gordices aquelas coisas que fogem do meu habitual e me causam um cadinho de culpa. Mas é um cadinho nela que sinto quando peço o prato, mas esqueço já na primeira mordida sabe? kkk

Jully: Dieta não é se privar, é se educar, é diferente ;-) Você pode comer de tudo aí sem engordar e, até, emagrecer ;-)

Bel: Li e comentei. Engoliram foi? Tenho que ir fazer outro? E lembrar das palavras emocionadas e melosas agora?! kkkk

Caminhante: Seria se você as tivesse visto com o estômago roncando. Foi? ;-)

Beijos 1000 e tudo de bom.

Sábado, Outubro 15

Aniversário e gordices de feriado


Aniversário e gordices de feriado

E os 35 chegaram assim, depois de uma semana de alto stress, no começo de um feriadão, em JPA e cheio de gordices. Umas vezes à beira mar, outras bem distante dele.


* Muita água de coco


* Tapioca de carne de sol com queijo


* Agulhinha frita com limão


* Camarão cozido no vapor


* Caranguejo no côco


* Ostra com azeite, limão e pimenta (delícia)


* Acarajé


* Sorvete da Freeberg. Banana caramelada, doce de leite, delícia de abacaxi, nata goiaba e coco queimado. #sempre


* Capuccino do Rei do Matte


* Quiche de queijo com bacon


* Feijoada


* Cajú com sal


* Pudim de leite com passas



E sabe o melhor de tudo?

Voltar sem ter aumentado uma grama kkkkkk

Beijos 1000 e tudo de bom.

Sexta-feira, Outubro 7

Inferno astral


Inferno astral

Todo inferno astral que se preze dura 30 dias. São doses homeopáticas de stress, agonia, notícias ruins, pendengas, irritação, problemas, desespero e mais um monte de outras coisas péssimas que você vai "curtindo", sofrendo, mas no final você sabe que vai sobreviver.

Preciso entrar em contato com o SAC porque o meu veio com defeito. Esse ano recebi uma versão concentrada, condensada em um único dia, e a impressão que eu tenho agora é de que não vou ver o sol nascer.

#meajude

Desespero mode on.

Notas:

Jully: Dou o maior apoio. 2012 me aguarde ;-)

Bel: CL respondido por e-mail (2) Deus queira que seja temporário kkkk

Beijos 1000 e tudo de bom.

Quarta-feira, Outubro 5

O corpo fala, e não mente


O corpo fala, e não mente

Que coisa tão ruim é essa de sua cabeça estar a 1000 e seu corpo não acompanhar, não responder da forma que você gostaria.

Beijos 1000 e tudo de bom

Terça-feira, Outubro 4

Rock in House - Parte II




Rock in House - Parte II - O melhor e o pior

Sobre esse último final de semana de Rock in Rio, preciso dizer que me arrepiei com a homenagem a Legião Urbana que, como bem disse Dinho, do Capital Inicial, "é quase uma religião pra muita gente".

Adorei os shows de Frejat, Skank com sua energia boa, Jota Quest e Lenny Kravitz com suas músicas de "trilha sonora de vida". Amei ver Ivete, com sua simples autenticidade, fazer o público vibrar do começo ao fim (o que foi ela cantando More than words? #arrepiei). Shakira, que eu gosto tanto, deixou um pouco a desejar, mas tudo bem, tá perdoada só por ser um doce.

E agora que eu já dei uma pincelada geral, preciso falar sobre o melhor e o pior do RIR2011.

O melhor: Coldplay! Putz... Que show foi aquele?! Que empatia, que energia, que resposta que eles tiveram do público. Lindo, lindo, linnnnnnnnnndo de viver!!



O pior: Gun's Roses.

Como foi triste ouvir Sweet Child O'Mine assim em 2011



Depois de já ter escutado assim, no RIR, em 1991.



Quem sentiu vontade de desligar a TV nessa hora levanta a mão \o/

Notas:

Flá: Eu queria tannnnto que ela tivesse lido. Será? Aquela mulher é sem noção kkkk

Beijos 1000 e tudo de bom.

Segunda-feira, Outubro 3

Carta aberta à Claudia Leite

Carta aberta à Claudia Leite
(escrita por Felipe Voigt e publicada originalmente aqui, em 28 de setembro - que eu publico porque concordo em gênero, número e grau)

"Cara Cláudia,

Tive o desprazer de ler sua postagem sobre as criticas recebidas por seu show no Rock in Rio. E confesso que me assustei com o que li. A forma como a senhora tratou os que a criticaram em nada difere da postura deles. Foi arrogante, se colocou como falsa-humilde que esconde a pseudo superioridade.

Dizer que quem a criticou por sua duvidosa apresentação é gente desocupada é um tanto quanto controversa. Afinal, a senhora mesmo os criticou em seu blog. Talvez também não tenha o que fazer, então...

A senhora não foi respeitada porque não respeitou primeiro. Teve a mesma soberba de outro artista que levou uma chuva de garrafas na edição passada. Chegou querendo impor e se impor, esquecendo-se de que não estava em um terreno “seu”. É fácil ser estrela em uma micareta, mas deve ser foda saber que não era a artista principal da noite no festival em que tocou, não?

Nem todos são tão radicais como a senhora se colocou em seu blog. Em 2001, estive no Rock in Rio III para assistir ao show do Neil Young. Antes, entre outras bandas, assisti a apresentação de Elba Ramalho e Zé Ramalho, notoriamente não-roqueiros. E, sem surpresa alguma, um público de quase 130 mil pessoas aplaudiu, dançou, cantou e respeitou o trabalho de ambos. Tocaram forró, frevo e tudo mais... E por que o público teve esse prazer e respeito? Porque ambos são artistas que, fora dos palcos, possuem carisma, humildade, competência e talento para saber lidar com as diferenças. E respeitaram o público que estava diante deles.

Pois bem: pode-se dizer, aparentemente, que sou um roqueiro ofendido com a forma como tratou aqueles que gostam de rock e não gostam de axé. Ok, assumo meus preconceitos em relação a esse tipo de música. Mas não sou xiita como a senhora se colocou em relação aos roqueiros. Ano passado estive em um show da Ivete Sangalo em minha cidade. Nunca, em sã consciência, iria a um show desse. Mas fui por razões profissionais. E gostei do que vi, mesmo não gostando do ritmo.

E por que gostei? Por causa da forma como a cantora tratou seu público e, principalmente, a maneira como se portou fora dos palcos, respeitando, sim, as diferenças. Nunca vi ninguém conquistar minha simpatia da maneira como dona Ivete conquistou aquele dia. Continuo não gostando de sua música e de seu estilo musical, mas passei a respeitar muito a artista.

Por falar nela, a referida postagem em seu blog apenas levantou a bola na área para que Ivete fizesse um gol de placa e te mostrasse como conquistar outros roqueiros em um festival que leva o nome de “rock”. Mas isso deve doer mais do que qualquer outra critica que nós, reles mortais, possamos desferir em sua leittosa direção.

E só uma dica: não use mais o nazismo como forma de reforçar uma idéia. Isso demonstra falta de argumentos e preguiça mental, pois sabe que todo mundo sempre rechaçará qualquer atitude parecida com a do “ariano”. Lembre-se que o próprio arrastava milhares de pessoas por onde passava, falava com eles de cima de um palco e dizia que quem estava contra ele era ignorante e, provavelmente, não tinha o que fazer na sua doentia concepção. Nesse caso, sua postura não difere muito da do ariano, não... Ele generalizou os judeus, você generalizou os roqueiros. Ambos diante de uma multidão de fãs.

No auge de sua soberba, a senhora chega inclusive a tratar roqueiros como seres desprovidos de inteligência mesmo que remota, já que pede para entrarem no Google e pesquisar sobre o “ariano que se achava superior aos judeus”. Aposto que se fizer uma enquete entre seus fãs, muitos sequer saberão escrever Hitler... quiçá saberão quem foi! Mas o que esperar de alguém que compra um DVD da senhora, não?

Dizer que um roqueiro se acha superior por conhecer Metallica ou Coltrane é o mesmo que se sentir gostosa por fazer um clipe com ex-Menudo recém saído do armário. Quem esfrega o que na cara de quem?

Mas é sempre assim, não? Quem critica o faz por inveja, queria estar no seu lugar, em cima daquele palco, não é? Claro: o mundo inveja Cláudia Leitte... que humildade, que modéstia, que exemplo!

O pior é vê-la criticando os artistas internacionais por atraso, por mostrarem a bunda, por não conseguirem “conciliar a respiração com o canto” – clara alusão à Katy Perry, que NÃO foi vaiada no mesmo dia em que a senhora se apresentou, mesmo ofegante.

Os critica por que? Posso usar sua mesma forma de pensar e achar que está com inveja deles? Olha, acho que posso... Releia sua frase:

“pouco se importam conosco, querem beijar na boca, ir à praia e tomar nossa cachaça, e nós, que pagamos caro para assistir aos seus ‘espetáculos’ em nossa terra, aplaudimos a tudo isso”.

Falou a senhora conhecida por uma música cujo refrão é “eu quero mais é beijar na boca”!

Sinto um enorme ressentimento vindo dessa frase... Porque os que pagaram caro para ver o show dos internacionais também pagaram caro para ver o seu show – e seus outros shows não devem ser baratos, também. Mas eles cobraram mais cachê, não é? Acho que isso que deve doer...

Talvez um dia a senhora consiga alugar um “garden” qualquer pra alavancar sua carreira internacional e, quem sabe, gravar um single com algum desses mesmos artistas que criticou. DUVIDO que vá falar: “não aceito porque você foi ao Brasil, atrasou o show, beijou na boca e bebeu cachaça!”.

Assim como você disse ter gente honesta trabalhando com você, eles também possuem gente honesta trabalhando com eles. Mas a senhora também não respeitou isso...

Enfim: perdeu uma ótima chance de ficar quieta.

PS: se tem mesmo todo esse respeito por Rita Lee, nunca mais faça um show em um rodeio, ok? Não importa o quanto paguem, o respeito que tem por ela não deve ter preço, certo?"

Beijos 1000 e tudo de bom.

Sábado, Outubro 1

#muita



#muita

Pena
■ substantivo feminino
3 sentimento de pena com relação a alguém, a si mesmo ou a alguma coisa; compaixão, dó

de quem sente

Inveja
■ substantivo feminino
1 sentimento em que se misturam o ódio e o desgosto, e que é provocado pela felicidade, prosperidade de outrem
2 desejo irrefreável de possuir ou gozar, em caráter exclusivo, o que é possuído ou gozado por

do que eu tenho

* um marido gato
* um filho bem criado
* outro a caminho
* um bom emprego
* uma família alegre
* bons amigos
* (etc, etc, etc)

e do que eu sou

* bonita
* gostosa
* inteligente
* amiga fiel
* gente boa
* criativa
* ótima cozinheira (eu não só posto não fofa, eu SÓ FAÇO delícias)
* desenrolada
* charmosa
* prestativa
* (etc, etc, etc)

E que para me atacar precisa se...

Esconder
■ verbo
transitivo direto e pronominal
1 colocar (alguém, algo ou a si mesmo) em lugar no qual possa ficar oculto; ocultar

... atrás de pseudônimos diversos e, pior ainda: incomodar pessoas ligadas a mim, em seus sites profissionais, com essa finalidade.

Mas fazer o quê se eu nasci podendo né "fofa"? Faz o seguinte ó: pára de olhar o meu lindo jardim e vai regar o teu, antes que tudo fique ainda mais feio do que já deve estar.

E, pra terminar, uma receitinha especial pra você: Torta da Inveja (que eu peguei aqui)

3 xícaras de farinha de trigo
2 xícaras açúcar
1 copo de óleo
3 gemas
3 claras em neve
1 copo de água fervente
2 copos de chocolate em pó
1 pitada de sal
1 colher de fermento em pó

Coloque em uma vasilha todos os ingredientes sólidos, e logo em seguida adicione as gemas, o óleo, a água fervente e misture bem. Junte as claras em neve e mexa levemente. Por último adicione o fermento e leve ao forno médio por 30 minutos.

SE você conseguir fazer tudo direitinho, sem derrubar ou quebrar nada no meio do processo, vai ficar uma coisa assim ó, linda, pra adoçar a sua vida:


Se ainda não for doce suficiente, faz um brigadeirinho básico, daqueles que até alguém como você consegue fazer, e joga por cima que vai ficar de #lamberosdedos

Sabe que é até bom saber que eu te incomodo? Só reforça que eu sou boa demais em tudo o que sou e me proponho a fazer né? #adoro

Beijo "fofa".